Primeiras impressões Porsche Taycan Turbo S: Silêncio assustador.

Um elétrico que consegue ser mais surpreendente que um esportivo a combustão? Sim…
A Porsche foi muito corajosa durante o lançamento do Taycan no Brasil. Colocou seu primeiro elétrico para as ruas ao lado de lendas como o 911 GT3 RS e o novo 911 Turbo S (que eu tive o prazer de pilotar para o Motor1.com). Sem medo de que os lendários modelos a combustão apagassem a estrela do dia, todos estavam disponíveis para a alegria deste que aqui escreve e, com certeza, estamos diante de algo surpreendente.

Vamos focar esta primeira volta no Taycan Turbo S, a versão mais nervosa do esportivo. Nervosa o suficiente para tirar as palavras de cada um que descia do carro depois de algumas voltas no autódromo Velocittá, no interior de São Paulo, mesmo tendo ao seu lado modelos a combustão com mais de 600 cv aspirado ou turbo.

O que é?
Como foi o Cayenne, o Taycan quer ser o símbolo de uma nova fase para a Porsche. Na Europa, já é o modelo mais vendido da marca e não será surpreendente se aparecer entre os preferidos também no Brasil. Aproveitando o conhecimento que colheu tanto nas competições com o 919 Hybrid em Le Mans quanto com os híbridos plug-in, a Porsche trouxe diversas inovações para o Taycan, desde na parte de motores elétricos quanto na rede elétrica.

O Porsche Taycan usa a plataforma J1 Performance, a mesma que estará no Audi e-Tron GT, este confirmado para o Brasil em 2021. O conjunto de baterias está no assoalho com 33 módulos individuais (12 células em casa), o que facilita a manutenção. Posicionadas em “bolsas”, reduz o volume e tamanho do conjunto. Há um sistema de refrigeração a líquido. No Taycan Turbo e Turbo S, são 93,4 kWh – o Taycan 4S tem esse como opcional, sendo a de série de 79 kWh.

Os motores elétricos também são diferentes. Enquanto estamos acostumados com motores assíncronos, o Taycan usa uma dupla com o sistema síncrono, que permite maior potência e menores dimensões e peso – também pelo enrolamento dos fios de cobre em hairpin. Isso dá ao Taycan uma estabilidade maior de potência, melhor refrigeração e, por exemplo, um capô mais baixo para melhorar a aerodinâmica.

O grande diferencial técnico do Taycan aparece na sua rede elétrica. São 800 volts, trazido do 919 Hybrid de Le Mans, quem além de permitir cabos mais finos, leves e com melhor dissipação de calor, permite um carregamento mais rápido, inclusive em um carregador de 350 kW instalado em São Paulo (SP) – são 22,5 minutos para ir de 5% a 80% da carga.

Se não bastasse tudo isso, o Taycan tem um câmbio de duas marchas no motor traseiro. Ele serve para ajudar a atingir velocidades de cruzeiro mais altas sem prejudicar a autonomia da bateria, o mesmo princípio de um motor a combustão e sua transmissão multi marchas.

Como anda?
Após a apresentação técnica, mesmo já tendo dirigido diversos modelos elétricos nos últimos anos, ficou uma curiosidade para ver como o Porsche Taycan Turbo S se comporta. Afinal, a marca alemã sempre se diferencia justamente pela esportividade extra mesmo em segmentos como o dos SUVs e sedãs (apesar do Panamera não ser exatamente um sedã) e, convenhamos, não era de se esperar menos do primeiro elétrico da empresa.

Baixo, futurista, imponente. É assim que podemos resumir o design do Taycan que, além de dar um estilo, serve como ajuda aerodinâmica e refrigeração de sistema como os freios. São tantos detalhes que vamos especificar cada um deles em um teste completo em breve, inclusive com números de aceleração. Se serve como referência, a Porsche diz que o Taycan Turbo S chega aos 100 km/h em 2,8 segundos e, até os 200 km/h, em 9,8 segundos. A velocidade máxima é de 260 km/h, alta para um modelo totalmente elétrico.

Por dentro, apesar de um painel totalmente digital e elementos exclusivos, não tem como não reconhecer detalhes do 911 992. Apesar de não usar uma chave para a “partida”, o botão se manteve no lado esquerdo como manda a tradição da marca. O Taycan te veste como qualquer outro Porsche atual com um toque de tecnologia esperada. Até o seletor de modos de condução segue no volante com as opções Normal, Sport, Sport Plus, Individual e a exclusiva Range, que trabalha para a maior autonomia, com velocidade máxima entre 90 e 140 km/h, trabalhando com o motor dianteiro e o traseiro apenas na segunda marcha.

O motivo dele não ter sido apagado pelos irmãos a combustão durante aquele dia? Bom, pelos números já dá pra imaginar como ele acelera. Em um silêncio assustador, ele empurra o corpo para trás, as rodas procuram o chão e está pronta uma das experiências mais doidas que qualquer pessoa DEVERIA ter na vida ao menos uma vez. Sem qualquer barulho, ele persegue o 911 que nos puxava em comboio como se em sua frente estivesse um carro qualquer. Se prestar atenção, é possível notar o momento em que o motor traseiro muda de marcha e ganha ainda mais velocidade.

Outro ponto onde o Taycan (por enquanto) é único entre os elétricos é a dirigibilidade. Apesar de possuir mais de duas toneladas, entra e sai de curvas como se fosse bem mais leve, ajudado pelo centro de gravidade mais baixo pelas baterias no assoalho – um ponto que ajuda bastante o Audi e-tron, por exemplo. A direção é direta, rápida e o elétrico contorna as curvas sem dificuldade. Nas mãos certas, é possível até arriscar drift com o Taycan. Até o sistema de freios foi projetado para ele.

Se os modelos elétricos dependem muito do freio regenerativo, o Taycan faz a modulação entre esse sistema e o freio mecânico pelo sistema “one pedal”. Dependendo do modo de condução e da força de frenagem, ele pode apenas deslizar, frear com ajuda do motor elétrico ou pelo sistema tradicional.

Quanto custa?
Como todo Porsche, o Taycan pode ser totalmente customizado. O preço inicial do Turbo S é de R$ 979 mil, mas pode ultrapassar os R$ 1,2 milhão dependendo de como o comprador escolher seu carro. Dentro desse pacote, já temos a suspensão a ar, amortecedores adaptativos PASM, eixo traseiro direcional e muito mais itens de conforto, segurança e condução.

Se na Europa o Porsche Taycan é o modelo mais vendido da marca, agora conseguimos entender. Pode chegar a mais de 400 km de autonomia, desempenho e dirigibilidade de esportivo, tecnologias exclusivas e outros motivos explicam o sucesso. No Brasil? Tem tudo para despontar como um dos mais vendidos e em nenhum momento irá desapontar quem quer um Porsche com alma de Porsche.

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